E aí, pessoal? Hoje é o primeiro dia do inverno e nessa época é comum ficarmos em lugares fechados para evitarmos o frio. Mas junto com o frio desses dias, chegam também as doenças respiratórias. Resfriados, gripes, rinites e tantas outras “ites” atacam mais no inverno. Mas vamos focar na gripe? Há diversas maneiras de evitar essa doença e uma delas é a vacina contra a gripe, disponibilizada de graça pelo Governo nos postos de saúde.
O Brasil é referência mundial em vacinação e o Sistema Único de Saúde (SUS) garante à população brasileira acesso gratuito a todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Ainda assim, muitas pessoas deixam de comparecer aos postos de saúde para atualizar a carteira de vacinação, e também de levar os filhos no tempo correto de aplicação das vacinas.
Nesse ano, a campanha de vacinação contra a gripe foi até o dia 05 desse mês. A ideia era alcançar a meta de vacinar, pelo menos, 80% do público prioritário. Um balanço do Ministério da Saúde indica que, até o dia 22 de maio, foram vacinadas mais de 23 milhões de pessoas, o que representa 46,2% do público-alvo, formado por 49,7 milhões de pessoas, consideradas com mais riscos de desenvolver complicações causadas pela doença.
Ok, mas quem faz parte desse público-alvo? A definição dos grupos prioritários segue a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), além de ser respaldada por estudos epidemiológicos e pela observação do comportamento das infecções respiratórias. São priorizados os seguintes grupos mais suscetíveis ao agravamento de doenças respiratórias:
- Idosos com mais de 65 anos
- Grávidas
- Crianças pequenas, entre 6 meses e 5 anos (antes era só até os 2 anos)
- Índios
- Profissionais da saúde
Mas o Ministério da Saúde também divulgou em nota que, além do grupo prioritário, também foram aplicadas 3,5 milhões de doses nos grupos de pessoas com comorbidade, população privada de liberdade e trabalhadores do sistema prisional.
O vírus
O vírus Influenza é uma partícula esférica que tem um diâmetro interno de aproximadamente 110 nm* e um núcleo central de 70 nm. A superfície é coberta por proteínas de aproximadamente 10 nm de comprimento com funções essenciais ao vírus: a hemaglutinina, responsável pela entrada do vírus nas nossas células onde este se irá multiplicar; e aneuraminidase permite a libertação dos novos vírus que irão à conquista de novas células. O vírus da gripe apresenta um genoma constituído por segmentos de ácido ribonucleico (ARN), o qual codifica, entre uma grande variedade de proteínas virais, as proteínas acima mencionadas.
São ortomixovírus, com três tipos antigênicos: A, B e C. O mais importante epidemiologicamente é o tipo A, capaz de provocar pandemias, seguido do tipo B, responsável por surtos localizados. O tipo C está associado com a etiologia de casos isolados ou de pequenos surtos.
A variabilidade das proteínas virais, Hemaglutinina (H) e Neuraminidase (N), no vírus da gripe A, está na base da sua classificação em diferentes subtipos (por exemplo, H5N1 ou H1N1). Atualmente conhecem-se 16 tipos diferentes de hemaglutinina (H1-H16) e 9 de neuraminidade (N1-N9). É a sua combinação que define o subtipo de vírus da gripe A expresso, o qual apresentará uma resposta epidemiológica e clínica específica.
Os vírus da gripe têm formas distintas (são pleiomórficos). Vírus que são mantidos em laboratório são predominantemente esféricos ou elípticos, e vírus isolados de amostras clínicas são filamentosos. Vírus utilizados para vacinas são produzidos em ovos embrionados e têm uma forma esférica. E saber isto é importante? É.
A forma filamentosa pode facilitar, por exemplo, a transmissão do vírus de uma célula onde foi produzida, para a célula adjacente ou facilitar a passagem do vírus pela camada de muco que protege os pulmões. A morfologia do vírus traz grandes consequências para a infecção. Qualquer virião tem de entrar na célula para conseguir replicar-se. A célula tem cerca de 40 micrómetros de largura, o que dificulta a entrada de vírus filamentosos. Os mecanismos celulares que permitem aos vírus filamentosos penetrarem nas células ainda não estão bem caracterizados pela ciência mas são bem diferentes da dos esféricos, cujo mecanismo está bastante bem elucidado, sendo uma área bem interessante na investigação e que pode inclusivamente dar origem a novos medicamentos antivirais. Afinal, se o vírus não conseguir entrar na célula, não conseguirá provocar doença.
A Vacina
No Brasil, a vacina contra a gripe é feita com vírus morto. Ela contém apenas algumas proteínas específicas do vírus Influenza, chamadas de antígenos, que são capazes de estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos.
Existe uma diferença entre os vírus que causam a gripe, mas ela não muda os sintomas da doença. Nós temos o vírus de influenza A e o influenza B. Assim, as vacinas são trivalentes, ou seja, imunizam contra três tipos de vírus diferentes.
A composição da vacina é recomendada anualmente pela OMS, com base nas informações recebidas de todo o mundo sobre a prevalência das cepas circulantes. Dessa forma, a cada ano a vacina da gripe muda, para proteger contra os tipos mais comuns de vírus da gripe circulantes no ano anterior. Por isso é importante os grupos de riscos serem vacinados anualmente!
A vacina disponibilizada pelo Ministério da Saúde em 2015 protege contra os três subtipos do vírus da gripe determinados pela OMS para este ano (A/H1N1; A/H3N2 e influenza B).
É importante lembrar que a vacina contra influenza é segura e também é considerada uma das medidas mais eficazes na prevenção de complicações e casos graves de gripe!
Como o organismo leva, em média, de duas a três semanas para criar os anticorpos que geram proteção contra a gripe após a vacinação, o ideal é realizar a imunização antes do início do inverno, por isso a campanha foi só até o dia 05, para que todos dos grupos de riscos já estivessem imunizados para esse inverno. É claro que isso não impede alguém que não se vacinou de tomar a vacina num período posterior.
Outro fato que devemos destacar é que é mito essa história de que podemos contrair a doença pela vacina. Após a aplicação da vacina pode ocorrer, de forma rara, dor no local da injeção, eritema e enrijecimento. São manifestações consideradas comuns, cujos efeitos costumam passar em 48 horas, mas não há como ficar gripado por conta da vacina contra a gripe ;P
Mas uma dica: A vacina não é recomendável para quem tem alergia à proteína do ovo (albumina) – usada na fabricação – ou para quem teve reações adversas a doses anteriores.
Sobre anticorpos...
Em 2011, cientistas dos Estados Unidos descobriram um anticorpo que age contra 30 das 36 cepas da gripe. A descoberta representa um grande avanço na busca de um tratamento universal e de uma vacina contra a doença.
O novo anticorpo, denominado CH65, consegue aderir na superfície do vírus da gripe, denominada hemaglutinina, a qual sofre mutação a cada temporada, forçando os especialistas a projetar regularmente uma nova vacina.
"O que isto nos diz é que o sistema imunológico humano pode ajustar sua resposta à gripe e de fato produzir, embora com uma frequência baixa, anticorpos que neutralizam toda uma série de cepas", disse o autor principal do estudo, Stephen Harrison, do Hospital Infantil de Boston, Massachussetts.
Bom, pessoal, a postagem de hoje fica por aqui! Mais informações sobre a gripe e a vacina, dá uma olhada nesses links que usamos como referência:
- http://veja.abril.com.br/noticia/saude/campanha-de-vacinacao-contra-a-gripe-comeca-em-22-de-abril/
- http://www.blog.saude.gov.br/index.php/35545-campanha-de-vacinacao-contra-a-gripe-e-prorrogada-ate-05-de-junho
- http://www.minhavida.com.br/saude/tudo-sobre/16663-vacina-da-gripe-influenza
- http://www.mdsaude.com/2015/02/vacina-da-gripe.html
- http://veja.abril.com.br/noticia/saude/cientistas-dos-eua-descobrem-novo-anticorpo-da-gripe/
- http://www.gripenet.pt/pt/news/2013/11/24/newsletter_2013_02_02/
GRUPO B
ResponderExcluirBoa tarde!
Todos nós ao menos uma vez(provavelmente várias) na vida acabamos infectados pelo vírus da gripe, que é curada sozinha pela ação do sistema imunológico nos restando apenas os sintomas indesejados como coriza, mal estar e febre e pelo fato de não haver cura é quase inevitável escapar desses males passageiros. O que nos leva a pensar a respeito de uma doença "inofensiva", quando isolada em um universo de patologias e o desenvolvimento de vacinas para impedir a infecção é justamente as complicações que essa baixa imune pode provocar em indivíduos mais vulneráveis como gestantes e idosos e com isso percebemos a importância das campanhas de vacinação contra a gripe, afinal, sabe-se que a gripe pode evoluir para pneumonias, encefalites, miocardites, inflamação de vias aéreas entre outras complicações potencialmente letais. Nós, do Blog de Prevenção de DSTs, ficamos curiosos em saber se essa vacina poderia ser usada por portadores de HIV, por exemplo, e descobrimos que sim, tanto assintomáticos como sintomáticos. Logo, está claro a importância de desenvolver anticorpos (proteínas do sistema de defesa) para identificar e combater esse vírus que não escolhe sexo, cor ou classe social. Todos juntos contra a gripe! Até !
REFERÊNCIAS
http://www.vacinas.org.br/Pasteur02.htm
http://www.tuasaude.com/complicacoes-da-gripe/
GRUPO M
ResponderExcluirLendo mais sobre o assunto, vi que existe mais uma contra-indicação, na verdade é uma precaução em relação às pessoas que já tiveram síndrome de Guillain-Barré, pois há, mesmo que muito baixa, a chance do desenvolvimento dessa doença após a vacina.
Outros efeitos colaterais também podem podem ocorrer, mas são incomuns e geralmente de curta duração, incluem: dor de cabeça, febre, náuseas, tosse, irritação no olhos e dor muscular. Existem casos descritos de desmaios entre adolescentes, mas estes parecem estar mais ligados ao medo de agulha do que à vacina em si. Talvez o aparecimento desses efeitos adversos faça com que as pessoas achem que estão gripadas e que essa gripe foi provocada pela vacina, estes lembram de fato os sintomas da gripel... Talvez esta situação contribua ou cause a rejeição das pessoas para com a vacina.
Referência:
http://www.mdsaude.com/2015/02/vacina-da-gripe.html